...dias em que o facto de as casas não terem números em certas terriolas, enerva-me.
...dias em que o facto de os vizinhos saberem da minha vida privada coisas que nem eu sei, mas não saberem o meu nome completo para explicar ao carteiro que moro ao lado e que não é preciso devolver as cartas que me são destinadas, enerva-me.
...dias em que o facto de um funcionário de uma instituição pública não ser capaz de copiar os meus dados de uma folha para outra, correctamente, causando assim mais uma dia de atraso num processo burocratico penoso, enerva-me.
letras e ondas
Contos e cores
Saturday, 1 March 2014
Sunday, 20 October 2013
A beleza que nos une
Adoro viajar.
Se me perguntarem o que é que eu acho mais valioso ou mais interessante em cada viagem, hei-de responder que é descobrir pequenos "pedaços de casa" nos sítios mais surpreendentes. Talvez é a minha necessidade de manter a ligação com a terra natal, como um laço que vai comigo em todo lado, um cordão ombilical imaginário ou muito mais simples, as saudades.
E estes "pedaços de casa" nem sempre têm a mesma forma, as vezes são descobertas gastronómicas, como me aconteceu na República Checa ou em Portugal, outras vezes são sons, cheiros ou um cintilhar das águas dum rio qualquer que no momento faz o meu coração bater uma vez mais forte.
De vez em quando obrigo o meu namorado ouvir música romena que representa uma zona ou outra do meu país e não foram poucas as vezes em que ele, com conhecimentos musicais superiores aos meus, disse que aquela ou outra peça musical tinha influências de outras culturas.
E acho que não estava enganado.
E acho bem que haja influências de outras culturas na nossa música, na nossa arte, são provas de encontros que valeram a pena.
Afinal, onde é que se encontram as fronteiras da beleza?
Há muito pouco tempo, na minha cidade (Baia Mare, norte da Roménia), houve o 2º encontro internacional para a preservação do castanheiro (o que tem o fruto comestível) que está a ser atacado por uma doença que ameaça a continuação da espécie. Juntaram-se especialistas de vários continentes para encontrar soluções. Ao jantar, como a tradição romena pede, houve um momento musical. Uma pessoa tem que presenciar para acreditar certas coisas, mas acreditem que ao som do Grupul Iza abriram-se as fronteiras todas e uniram-se os braços numa dança tradicional romena que a maioria dos convidados nunca tinham ensaiado!
Adoro quando isto acontece, quando há um momento cultural representativo para um povo qualquer, não importa qual, que consegue romper com as minhas barreiras culturais. Chorei sem poder falar ao ouvir o momento do fado no filme A Gaiola Dourada. O fado é vosso, portuguêses, mas a letra poderia partir o coração de qualquer pessoa que esté tão longe de casa como eu estou. Chorei, mas saí feliz do cinema, a pensar na beleza da música, na linguagem universal que ela é. Voltei a pensar nos cientistas que se juntaram para salvar o castanheiro e que acabaram um encontro científico ao som da nossa música. Aposto que ninguém pediu uma tradução da letra, porque não foi preciso. A mensagem ultrapassou qualquer barreira linguística e pôs a multidão a dançar.
Porque há beleza que nos une.
Labels:
arte,
beleza,
dança,
música romena
Location:
Coimbra, Portugal
Tuesday, 24 September 2013
A vida na aldeia
Há algo de mágico nas aldeias. Pelo menos nas aldeias do meu país. O dia começa mais cedo, mais "à pé" e em vez da agitação citadina há apénas um murmúrio crescente, uns "bom dia" sorridentes e ainda meio-adormecidos.
Deve ser por isso que logo que mudamos para uma casa nova, na zona rural, senti-me muito "em casa". Pessoas que nunca me tinham visto cumprimentavem-me, a passarem em direção à mercearia, à igreja ou em direção à quem sabe... As velhinas olhavam com curiosidade quando comecei a abrir as persianas todas para deixar a luz entrar na casinha que estava desabitada há tanto tempo.
O padeiro passa por aqui três vezes por dia e hoje até passou um senhor que conhecia a mãe do meu namorado, para nos informar que se for precisa uma butija de gás, era só dizer e resolveria-se logo! Sim, senhor! Obrigadinha! :o)
Contra o esquecimento...
... da língua portuguesa.
Criei "letras e ondas" porque no meu outro blog já escrevia em romeno e inglês e pensei que adicionar mais um idioma iria barralhar os meu já poucos leitores. Mas, para além disso, "letras e ondas" é uma solução contra o esquecimento da língua portuguesa. Entre fevereiro e junho deste ano estudei em Coimbra, o Curso Anual de Língua e Cultura Portuguesas para Estrangeiros e depois de quase três meses de fazer nada... já tenho que abrir o dicionário mais vezes de que deveria. Portanto, aqui está, o meu blog, fuleiro e cheio de erros que vou corrigindo... logo que forem descobertos. :o)
Thursday, 19 September 2013
Ridículo
Filho: Mãe, o que quer dizer "ridículo"?
Mãe: Bem... vou dar-te uns exemplos para perceberes melhor.
Ridículo é um Ministro da Educação anunciar a obrigatoriedade do exame de inglês para os alunos do ensino secundário e três dias depois dizer que o inglês torna-se disciplina opcional no 1º ciclo. Ainda mais ridículo é seres o Ministro da Educação e não saberes que as crianças conseguem aprender duas línguas ao mesmo tempo... ou até mais, afinal tu, aos dois anitos percebias português, romeno e norueguês.
Ridículo e sem vergonha é um Ministério Público que pede a condenação das vítimas dum assalto por terem agido em legitima defesa.
Disclaimer: Qualquer semelhança com governantes e ministérios reias é pura coincidência. Os governantes e os ministérios reais não cometem abusos deste género.
Mãe: Bem... vou dar-te uns exemplos para perceberes melhor.
Ridículo é um Ministro da Educação anunciar a obrigatoriedade do exame de inglês para os alunos do ensino secundário e três dias depois dizer que o inglês torna-se disciplina opcional no 1º ciclo. Ainda mais ridículo é seres o Ministro da Educação e não saberes que as crianças conseguem aprender duas línguas ao mesmo tempo... ou até mais, afinal tu, aos dois anitos percebias português, romeno e norueguês.
Ridículo e sem vergonha é um Ministério Público que pede a condenação das vítimas dum assalto por terem agido em legitima defesa.
Disclaimer: Qualquer semelhança com governantes e ministérios reias é pura coincidência. Os governantes e os ministérios reais não cometem abusos deste género.
Reforma
Filho: - Mãe, o que é uma reforma?
Mãe: - Uma coisa em vias de extinção.
Filho: - ...? Por causa das mudanças climáticas?
Mãe: - Não, filho, por causa dos governantes.
Mãe: - Uma coisa em vias de extinção.
Filho: - ...? Por causa das mudanças climáticas?
Mãe: - Não, filho, por causa dos governantes.
Monday, 16 September 2013
Um emprego a tempo inteiro
Continuo desempregada... bem que procurar emprego, enviar CVs e cartas de motivação adequadas é um emprego a tempo inteiro, mas sem salário. Não faz mal... ou faz, mas quando não tens escolha, aguentas. Entre dois anúncios de emprego, um mal redigido, outro que pede fotografia (!) atualizada para saber se a empregada de limpeza dá bem com os sofás que terá que escovar, leio artigos no Yahoo sobre a crise portuguesa. E estes analistas económicos, que gostam de dizer que os periodos de crise são na verdade momentos de grandes oportunidades, momentos para fazer mudanças... metem-me um bocado de nojo. Um bocado mais. É óbvio, pelo discurso deles, que nem ficaram sem casa, nem sem emprego, porque desempregados como eu ainda os lêem, e que ainda podem sustentar os filhos na escola que tem cada vez menos dinheiro para materiais escolares, obras e salários para professores. Grandes oportunidades, só se for para quem possa pagar ainda menos aos trabalhadores já muito mal pagos.
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